Será que existe a cortina perfeita? Da definição do tecido à costura, arquitetos e decoradores não hesitam: o segredo está no acabamento e na qualidade dos materiais. Aqui, sete profissionais revelam os truques do modelo impecável.

Caimento perfeito
"Cortina é como roupa: o caimento faz toda a diferença", diz o arquiteto Roberto Migotto. Por isso, tecidos fluidos e de toque agradável, como a seda, são ótimas opções para a prega americana, costura que, segundo ele, cria um desenho sem excessos. É o caso dos modelos que vestem as portas-balcão desta sala. Cada uma das cortinas com xale combinou dois tipos de seda, de texturas e tons diferentes, ambas da Safira Sedas. Isto deixa o visual menos monótono", ensina. Confecção de Marilei Boldrini. Mesa de centro e pufes da Érea e poltronas da Maxalto.

Modelos combinados
O designer de interiores Roberto Negrete se lembra da persiana metálica na janela da casa de sua avó. "É um modelo tradicional, que continuo usando em meus projetos. Gosto da forma como ele filtra a luz", conta. Presa ao teto, a peça de alumínio Slim H 16 mm, da Luxaflex (Persianas DMS), aparece combinada com os xales fixos de organza de seda (Empório Beraldin). "A sobreposição suaviza a frieza do metal." Mais uma vez, a prega americana surge como a eleita. Executada pela Cortinas Vila Prudente, a costura chama a atenção pela barra alta. Sofá da Breton Actual e poltrona da Brentwood.

Transparência natural
Pelo efeito translúcido e pela leveza, tecidos de fibras naturais, como o linho, são assíduos nas cortinas da arquiteta Débora Aguiar. "Acho que eles combinam melhor com nosso clima", afirma. Para ela, a p rega macho propõe um belo casamento com essa opção. "Esta costura gera um caimento natural e uma entrada de luz suave." Aqui, Débora mesclou uma cortina de gaze de seda com um xale fixo de linho. Por baixo, instalou ainda o rolô de poliéster Brisa, da Luxaflex. Tecidos do Empório Beraldin confeccionados pelo Atelier Iole Mendonça. Sofá da Artefacto, mesa da Dpot e vasos da Érea.

Tecido encorpado
Xales meramente decorativos não fazem parte dos projetos da arquiteta Zize Zink. "Minhas cortinas são funcionais e, de preferência, encorpadas. Por isso, costumo usar forro de tergal solto", detalha. Além de protegê-lo do sol, o forro dá forma ao fino tecido usado neste modelo, o xantungue de seda (Empório Beraldin). Favorita de Zize, a prega americana endossa a opção por um visual clássico. "Ela produz um desenho rico." Já a barra alta confere nobreza. "É como nas roupas bemacabadas." Confecção da peça: Shadow Persianas Cortinas e Toldos. Mesinha do Antiquário Ivy e tapete da By Kamy.

Aparência luxuosa
Para o arquiteto Jorge Elias, uma boa cortina tem de ter peso. "Não gosto de um visual murcho", sentencia. Coerente com a proposta, o t afetá aparece como uma escolha freqüente. "Ele tem uma aparência sofisticada, que combina com as minhas decorações." Mas não se trata de qualquer um. "Costumo usar um tafetá de seda quatro vezes mais espesso que o convencional, além de forro de flanela e tergal." É o caso do modelo da foto, feito com o tecido da marca Clarence House, de Nova York. Preferida de Elias, a prega americana oferece um caimento clássico, que não compete com a riqueza do pano.

Costura artesanal
Nos projetos do arquiteto Oscar Mikail, a pintura na parede define o tom da cortina. "Na área social, opto por cores semelhantes", diz. Exigente com o acabamento, Oscar faz questão de que barra e laterais sejam arrematadas a mão. "Não gosto de enxergar os vestígios da costura." A seda rústica sem brilho é a eleita para os xales,como no modelo da foto. "Para conseguir um bom caimento e estender a durabilidade deste tecido, mando forrá-lo com flanela e tergal." Antes, vem o voal. Ambos costurados com a prega macho. "Ela gasta menos pano que a americana", ensina. Tecidos a Coquelicots confeccionados por Monica Bagatelli.

 

Com moldura de madeira
Seda e voal compõem o par perfeito nas cortinas do decorador Fernando Piva. "Opto por tons contrastantes, uma solução que ressalta a combinação de panos. A seda vai sempre nos xales laterais fixos", diz. Sintético e resistente, o voal é quem recebe diretamente o sol. Na peça da foto, ele não leva nenhum tipo de prega - surge apenas franzido pelo acúmulo do próprio tecido. Já os xales forrados de brim têm costura de prega macho. Um cortineiro de MDF pintado esconde o trilho. "Como uma moldura, esta caixa de madeira cria um visual limpo e bem contemporâneo." Tecidos da Larmod e confecção da My House. Chaise da Casa 21.

 

Reportagem Visual: CRISTINA BAVA
Texto: SILVIA GOMEZ
Fotos: LUIS GOMES
Fonte: Casa Claudia